Vinicunca no Peru: a montanha arco-íris

Conheça Vinicunca, uma montanha maravilhosa localizada no Peru, diferente de tudo que já vi. Tive a oportunidade de me aventurar por ela em abril de 2016 e é um enorme prazer dividir com vocês essa experiência surpreendente e, ainda, pouco conhecida por brasileiros.

 

A melhor maneira de explorar a região e conhecer Vinicunca é através da trilha Ausangate, oferecida pela empresa Andean Lodges. É um desafio: chegamos a 5.200m de altitude e caminhamos cerca de 45km entre muitas subidas e descidas – mas todo o esforço vale a pena. O cartão postal do passeio é realmente Vinicunca, mas arrisco dizer que, durante o trajeto, vi paisagens até mais surpreendes que a própria montanha arco-íris. Pra mim, eu estava caminhando em outro planeta…

Vamos lá: Vinicunca está localizada nos andes peruanos, na região sul do país. Para começar a aventura, voei para Cusco, onde me uni ao grupo do trekking e comecei a viagem de carro até o ponto inicial da caminhada, que começa a 4.300 metros de altitude, em Molino Viejo. Durante os 5 dias, veríamos paisagens surpreendentes dos andes: diversas montanhas, lagos e vegetações super diferentes.

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Os 5 dias de trilha Ausangate

O primeiro dia de trilha é bem suave – seu propósito é apenas a aclimatação. Caminhamos cerca de 4km entre vales e rios e chegamos no primeiro lodge. Todas as noites dormiríamos em lodges – o que nos ajudaria muito a enfrentar as baixíssimas temperaturas de todas as noites (independente da época do ano, as noites são super frias devido a altitude). O segundo dia começou cedinho, com um momento bem especial de saudação ao espírito da montanha Ausangate (uma montanha importante no Peru, devido ao seu tamanho e imponência – passaríamos por ela durante o trekking). É uma crença forte no país que as montanhas têm seus próprios espíritos. Soprando folhas de coca, invocamos Ausangate pedindo permissão para seguir caminho e proteção no trajeto. Caminhamos cerca de 9km e subimos aproximadamente 500m – o segundo dia também é “leve” e considerado um dia de adaptação. No entanto, foi nesse dia que começamos a sentir os efeitos da altitude, principalmente falta de ar. A recomendação é se hidratar bastante e parar para um breve descanso sempre que necessário.

Como aconteceria todos os dias, almoçamos no meio da caminhada e seguimos rumo ao segundo lodge. Chegamos a 4.800m de altitude sob uma leve chuva de granizo que logo virou uma forte neve, deixando a paisagem em torno do lodge ainda mais bonita. Encaramos uma das noites mais frias, tanto pela neve quanto pela proximidade com Ausangate, que tem em seu pico uma enorme geleira.

O terceiro dia foi intenso, uma prova de força e resistência. Começamos com uma subida bem íngreme e chegamos a 5.200m de altitude – o ponto mais alto da trilha. Passamos por lagos incríveis e paisagens de tirar o fôlego, percorrendo 13km. Chegamos no terceiro Lodge por volta das 4 da tarde. Essa noite também foi linda: vimos a natureza lá fora toda iluminada pela lua cheia.

Começamos o quarto dia com mais uma subida bem íngreme, chegando novamente além dos 5.000m de altitude. Do alto, vimos as montanhas coloridas e Vinicunca – dá muita vontade de chegar lá pertinho! Depois de alguns quilômetros de descida e mais uma subida, começamos a caminhar pelas montanhas vermelhas.  Quando menos esperávamos, já exaustos e no topo da montanha, nos vimos dentro das nuvens. Eu não conseguia enxergar um metro na minha frente. O frio e o vento também estavam intensos. Ficamos ali, cerca de 20 minutos, torcendo para que o tempo virasses – ainda não tínhamos conseguido ver Vinicunca de perto. De repente, o tempo abriu… E fomos surpreendidos por uma paisagem que parecia de outro mundo. Já estávamos ali, exatamente em frente ao cartão postal da trilha. Víamos montanhas coloridas e terras vermelhas que pareciam Marte. Sério! Que lugar era aquele? Ficamos um bom tempo admirando a montanha arco-íris e ouvindo histórias da região.

Ainda não conseguíamos acreditar no que estávamos vendo.

Caminhamos para a direita de Vinicunca e nos surpreendemos ainda mais com a paisagem: neve no topo das montanhas, terras extremamente vermelhas na sequência, pururaucas (formações rochosas que se assemelham ao perfil do rosto de humanos), montanhas com areias esverdeadas que pareciam cachoeiras e uma vegetação com um verde saturado – um tom que a gente parecia nem conhecer.

Depois de mais alguns quilômetros, montamos uma barraca para almoçarmos bem ali, no meio de “Marte”. Foi mágico! Pouco tempo depois chegamos ao lodge – cercado por montanhas e à beira de um lago. Era um encerramento com chave de ouro. O 5º, último dia, foi suave. Começamos com uma subida puxada, mas ela durou apenas 30 minutinhos; depois, descemos aproximadamente 8km, passando por vales, rios e pequenas casas das famílias da região.

Chegamos por volta das 12:00h na estrada, onde um piquenique de despedida nos esperava ao lado do carro que, por sua vez, nos levaria de volta a Cusco. Estávamos exaustos, mas o sorriso no rosto entregava que a jornada havia sido incrível.

 

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Day trip desde Cusco

Apesar de existirem day-trips de Cusco até Vinicunca, eu não recomendo. Você chegará até a “montanha arco-íris” e ficará maravilhado, é verdade, mas perderá inúmeras belezas que estão logo ali ao lado, a poucos passos depois da montanha. Vinicunca é muito mais que um simples cartão postal ou uma simples paisagem pronta para uma foto. A região inteira é surpreendente e parece de outro mundo. Passar alguns dias ali, dormir em meio àquela terra vermelha que se assemelha a Marte, descobrir mais sobre a comunidade local e vivenciar aquela magia é o que mais vale a pena. Além disso, as day-trips não levam em consideração a preservação do local e não beneficiam as famílias que possuem aquelas terras. Cerca de 50 pessoas são levadas em Vinicunca por dia na alta temporada, enquanto o permitido oficialmente através das trilhas é de 400 pessoas por ano, para preservação.

Vinicunca (2)

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Raquel Furtado
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