Perdida no caos do Mercado Central de Belo Horizonte

Mercados públicos são, para mim, visita obrigatória numa cidade nova. Lá, as pessoas se encontram para um dedo de prosa e compram artigos para o dia a dia. No post de hoje, conto uma aventura que vivi no Mercado Central de Belo Horizonte.

O que eu gosto especialmente no Mercado Central de BH é da sua utilidade tanto para belorizontinos quanto para os turistas. Nesse lugar, todo mundo encontra tudo o que precisa para uma autêntica experiência mineira.
O Mercado Central está localizado no centrão de Belo Horizonte, ao lado da Praça Raul Soares – aliás, uma praça muito bonita, que vem sendo reocupada para o lazer, mas ainda há bastante criminalidade à noite, como em boa parte do baixo-centro da cidade.
Sempre que um amigo de fora chega em BH, é pro Mercado Central que quero ir com ele. Faço os turistas experimentarem todos os queijos, doces e cachaças disponíveis, levo ao Casa Cheia para um almoço digno de reis sem medo de doenças coronárias e fecho o tour com um café com broa de queijo divina (para mim, a melhor da cidade) no Café Três Irmãos.
São 14.000 m² de lojas que vendem de tudo um pouco. A combinação de cheiros, sabores e sons só pode ser encontrada lá. Eu sou belorizontina e, mesmo indo ao Mercado muitas vezes por ano, sempre acabo encontrando alguma coisa nova pelos corredores.
Minha última descoberta foi os anéis inteiriços de pedras mineiras semipreciosas: acho que o Mercado traz umas 5 ou 6 lojas que vendem pedrarias de várias partes de Minas Gerais, mas elas nunca tinham me chamado a atenção. Talvez eu ainda não estivesse muito interessada em bijuterias até aquele momento epifânico. Mas aí, certo dia, estava no Mercado à procura de queijos mineiros diferentes – são dezenas de queijarias no Mercado, cada uma com seus fornecedores de diferentes lugares de Minas. Depois de rodar por toda parte e encher o bucho de amostras de queijo sem encontrar o que eu queria especificamente, fiz uma curva para tentar chegar à Loja do Ronaldo (acho que ele vende o melhor queijo de minas de São Roque, pouco curado, pronto para comer puro ou colocar no sanduíche), me dei conta que não tinha ideia de onde estava.
Claro, era o Mercado Central da minha infância, o mesmo que meu avô visitava quando ia comprar fumo de rolo lá nos idos 1950, o mesmo que minha mãe navega hoje sem dificuldade alguma, chamando os atendentes das suas lojas mais habituais pelo nome. Mas eu não sabia quais lojas eram aquelas que estavam ao meu redor. Mistérios de uma construção cuja arquitetura foi inspirada nas medinas árabes: labirinto que esconde segredos preciosos. Flor que se desdobra de acordo com as habilidades de quem procura.
Entrei em uma pequena banquinha de pedrarias para pedir informações e os anéis de pedra inteiriços praticamente pularam na minha frente – lindos! Pedras semipreciosas lapidadas de diversos formatos, algumas com a parte superior bruta, com dois minerais misturados, feitas de ágata, quartzo de diversas cores, obsidiana, olho-de-tigre e tantas outras. Dispostos em uma bandejinha sem organização alguma. E tão baratos! Comprei logo 4, paguei 50 reais e saí muito mais feliz do que se tivesse encontrado o queijo de primeira.
A loja do Ronaldo, é claro, estava logo ali, seguindo o corredor até a curva, depois vira à direita e anda até quase o final do corredor, aí vira à esquerda. Como eu poderia ter errado?
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Lívia Aguiar
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