A festa no céu do Santuário das Borboletas Monarca, México

Acordamos cedo, antes do nascer do sol, com empolgação fora do comum pro horário: iríamos ver as borboletas monarca, que migram desde o Canadá para passar o inverno no México. Centenas de milhões de borboletas se concentram na Reserva da Borboleta Monarca, a norte da Cidade do México, durante 5 meses – e era para ver esse espetáculo que nós pulamos da cama.

Entre finais de outubro e meados de março, borboletas monarca nascidas no sul do Canadá e norte dos EUA se concentram no México para fugir do frio. Elas voam por mais de 7 mil quilômetros pegando carona nas correntes de ar e se concentram todas numa floresta que hoje é santuário de preservação. As borboletas dessa espécie que nascem no outono são as que fazem a migração (chamadas de Geração Matusalém) e vivem cerca de 9 meses. Ao voltar para o norte, elas se reproduzem e morrem, já velhinhas. As gerações que nascem na primavera e no verão vivem apenas de 3 a 4 semanas, sem precisar viajar pra lugar nenhum. O tempo passa, chega o outono e as borboletas que nascem nessa época se preparam para migrar como fizeram as suas antepassadas. A natureza é muito louca.

Reuni um grupo de pessoas legais que conheci no albergue onde estava hospedada na Cidade do México e viajamos até o Santuário. Existem tours que fazem esse passeio de um dia, mas calculamos que ficaria mais barato e teríamos mais liberdade se alugássemos um carro e dividíssimos o valor entre nós 5. A viagem se revelou mais longa do que o esperado (erramos o caminho algumas vezes), mas foi uma jornada divertida e que cumpriu seu papel: conseguimos chegar e ver as turistas canadenses aladas em seu resort de férias.

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Fomos até a entrada em Sierra Chincua, no estado de Michoacán, deixamos o carro no estacionamento e fomos acompanhados de um guia (já incluído no preço do ingresso de entrada no Santuário) que nos levou pela floresta de pinheiros enormes e antigos, até que alcançamos uma área que estava cheia de árvores com folhas marrons. Só que as folhas não eram folhas! Eram as asas de milhares de borboletas!

Como o dia estava nublado e meio frio, elas estavam todas paradinhas aglomeradas em grupos, para se manter aquecidas. Não tinha tanta graça vê-las assim, parecendo folhas secas, e teríamos considerado a viagem perdida se nada mudasse. Já que fomos até lá só para ver as borboletas, decidimos esperar um pouco para ver se elas se movimentavam. Menos de meia hora de espera depois, nosso guia já impaciente para voltar pra entrada e pros amigos dele, o sol resolveu dar as caras. O céu se abriu, raios de luz incidiram sobre as árvores e as borboletas começaram a se movimentar.

Você já ouviu o barulho do bater de asas de uma borboleta? Quando são milhões delas batendo ao mesmo tempo, vira um zum zum zum altíssimo. Zum zum zum, não: fffff fffff fffff. Fffffffffffffffffffffffffffffff, o vento passando apertado entre suas asas. Borboletas brincavam de pousar de galho em galho, davam voltas no ar sob os raios de sol, voavam até o alto e também davam rasantes lá embaixo, onde nós estávamos boquiabertos.

Do mesmo jeito que o sol apareceu para nos fazer um agrado, ele também decidiu que era hora de se recolher meia hora depois. Assim que ele sumiu e voltou a fazer um friozinho, as borboletas foram voltando às suas posições nos galhos das árvores e voltaram a hibernar.

Satisfeitos, rumamos de volta ao carro para fazer a viagem de volta. Minhas fotos foram feitas com meu celular – nada profissional e nada adequado para capturar as borboletas em festa. Mas desconfio que mesmo se eu tivesse a melhor câmera do mundo seria impossível retratar o que vivemos naquela meia hora de festa borboletária. É preciso estar lá pra ver e ouvir essa magia da natureza.

Leia mais sobre o passeio e o Santuário da Borboleta Monarca no blog.

Lívia Aguiar
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